Meu início - Filhos de Aruanda

Há muito tempo, desde minha infância freqüento a Umbanda.
Hoje, resolvi contar um pouco sobre como foi o meu início na nossa querida e amada Umbanda.

Meu tio já falecido, antes mesmo do meu nascimento, freqüentava um terreiro de Umbanda. Após o seu falecimento, o seu cunhado e também meu tio, começou a freqüentar o mesmo terreiro. Mas depois de um tempo, havia a necessidade de se abrir um pequeno terreiro nos fundos de sua casa, que serviria para o atendimento de poucas pessoas.

Quando minha mãe estava grávida de nós (eu e meu irmão gêmeo), ela levou um tombo que deixou sua barriga completamente torta. Nesse momento o caboclo do meu tio incorporou e pediu que levassem a minha mãe ao médico, pois eles (os guias) precisavam da mão do médico para colocar-nos no lugar novamente. Assim foi feito e tudo foi normalizado. A partir desse dia, como conta a minha família, eu e o meu irmão passamos a ser os “filhos dos guias”.

Quando nascemos, numa determinada noite, minha tia ajudava a minha mãe a cuidar de nós. Ela conta que olhou para o meu irmão no berço e sobre ele vinha correndo um espírito que parecia um jovem hipp, no momento em que se ligou ao corpo do meu irmão, o mesmo chorou. Ao lado dessa cena, sobre o meu corpo havia um menino com características de povos do oriente que usava um chapeuzinho de feltro, olhando para o corpo no berço. Assim que o menino juntou-se ao corpo, chorei.

O tempo passou e essas histórias sempre vinham à tona em determinados momentos.

Já na adolescência, passei a freqüentar o terreiro de meu tio, e lembro que durante uma festa de erês, uma criança incorporada virou-se para mim e falou: “Eu conheço você, mas você não se lembra de mim”.

Sempre freqüentei o terreiro, mas nunca houve manifestação alguma de mediunidade, a não ser algumas visões e audições que, com o passa do tempo tornaram-se mais freqüentes. Muitas vezes, o caboclo do meu tio tentava chamar os meus guias, mas nunca houve um arrepio se quer.
Continuei freqüentando o terreiro por um longo tempo e sempre cambonando os guias em terra, inclusive os do meu irmão gêmeo. Lembro que fazia um sacrifício muito grande para poder freqüentar, pois trabalhava durante o dia e estudava no período noturno.

Por motivos de doença, meu tio encerrou os atendimentos no terreiro e não quis saber muito de procurar outro. Mas como nada é por acaso, um dia coloquei na cabeça que teria que achar um terreiro para freqüentar novamente.

Conversei com esse meu irmão, falando da minha vontade e imediatamente ele me disse que conhecia um terreiro.

Na semana seguinte, meu irmão e eu resolvemos ir até o terreiro.

Era um terreiro bem maior do que eu estava acostumado, com muitos médiuns.

Fiquei na assistência até ser chamado, acompanhando toda a abertura dos trabalhos de perto.

Chegada a minha vez, entrei no espaço que era reservado ao atendimento e fui conversar com uma baiana. Não sei explicar como, mas minhas mãos suavam frio e eu parecia um pouco eufórico. Não precisei dizer nada, a baiana começou a me dar um passe e pediu para que fechasse os olhos. Só me lembro de sentir o meu corpo inteiro arrepiar e começar a balançar o corpo, como se fosse cair, mesmo independente de minha vontade.

Após um tempo, já estava fazendo alguns movimentos que lembravam uma dana suave.

Terminado esse episódio e me recompondo, a baiana e mais um cambono me falaram que era hora de vestir o branco, pois o meu povo estava pedindo para trabalhar. Achei que não era o momento, mas continuei freqüentando o terreiro na assistência.

Por incrível que pareça, toda semana durante aproximadamente três meses, sempre havia algum tipo de manifestação e sempre ouvia a mesma recomendação: “É hora de vestir o branco”.
Após pensar um período pensando, cheguei a conclusão de que o momento realmente havia chegado. Vesti o branco e entrei para o desenvolvimento mediúnico da casa e, após um pequeno período, meus guias já estavam trabalhando.

Hoje, sigo firme na Umbanda, apesar dos obstáculos que me aparecem, e continuo trabalhando na mesma casa.

Lembro de um conselho de um caboclo postado em um blog: “não queira pular as etapas do seu desenvolvimento, curta a descoberta de cada momento”.

Hoje, todos os meus guias estão firmes e tenho certeza de que me orienta, protegem e me amam, assim como eu os amo.

Filhos de Aruanda

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